Há várias maneiras de expressar a fase por que estamos a passar. Há quem diga que estamos em crise, outros dizem que estamos f$%&#, eu opto por dizer que estamos mal, mas podíamos estar pior.
O facto é que os subsídios (natal e férias) estão a acabar, que o IVA subiu, que as auto-estradas até aqui "grátis" vão começar a ser pagar e em principio sem benesses para os moradores na região, que a gasolina sobe mais de preço do que desce, que há taxas e impostos para tudo, cada vez mais caros. Isto tudo é verdade. No entanto pede-se também que haja crescimento económico, é preciso que os mercados sejam agitados para haver desenvolvimento. Esses mercados que não não passam de especulações de quem compra e vende acções. Nós os comuns mortais, gramamos a pastilha dos outros andarem a brincar às especulações.
A contestação ao governo anterior era muita, mas com este pouco ou nada mudou, quem está mal vai continuar mal, quem estava bem vai ficar mal e quem estava muito bem, fica na mesma. É impossível fazer crescer um país quando se vão cortar as fontes de rendimento do mesmo. O poder de compra vai cair a pique, aqueles que vendem produtos/serviços vão ter de rever os seus preços, para rever os seus preços vão ter de baixar o custo da mão-de-obra, baixando isso, o tuga recebe menos, compra menos... volta tudo ao inicio tal e qual como um ciclo. Só que neste caso com o efeito bola de neve.
Quando é que isto vai parar? Quando não houver dinheiro para a troca? Vamos voltar à troca de bens, ao antigamente. Se assim for eu pago em sexo, "tenho montes dele guardado", já lá dizia o PacMan. "Olhe são três quilos de batatas e 2 de cenouras, quanto é?" "São 30 minutos à francesa e um linguadão", pronto, está pago.
Um gajo brinca com esas situações para ver se se ri um pouco, já que chorar não adianta, eles na assembleia também andam lá a brincar e recebem para isso. Portanto eu também gostava. Por isso é que escrevo estas coisas, tenho a esperança de um dia me chamarem para receber ordenados chorudos e viajar a pala dos contribuintes. Mas salvaguardei já o futuro, se Portugal for ao fundo eu piro-me nos submarinos do Paulo Portas, tal e qual como no filme 2012, eu também já tenho um bilhete para fugir, caso a catástrofe se dê (comprei-o com o ultimo subsidio de férias).
Podem pensar que são uma grande equipa, podem ter ganho quase tudo nos últimos vinte anos, com ou sem fruta, pode ser cliché para os jovens ser da equipa sensação do momento, mas uma coisa é certa Benfica é Benfica. E aqui fica o porquê:
Os melhores adeptos são os nossos, os melhores jogadores serão sempre os nossos, o melhor e maior estádio é o nosso. Os grandes momentos de magia passam-se no nosso estádio, o melhor jogador português de sempre é NOSSO. Por muito que tenham ganho nunca terão a noção do que é ter um país parado para ver jogar a sua equipa, e essa equipa não é a selecção: é o BENFICA!
Ganhando ou não, serás sempre o maior, serás a única equipa que rivaliza com outras potências mundiais, serás o orgulho dos portugueses.
Futebol em portugal escreve-se BENFICA.
Vivemos cada vez mais num mundo obcecado com o trabalho (ou com a falta dele), num mundo regido pelo dinheiro, num mundo onde as relações interpessoais passam para segundo ou até terceiro plano. Esta é a nossa realidade de hoje, as guerras são causadas pela ganância de todos nós, e este problema não é de uma pessoa ou de uma nação. Não é de um terrorista ou de um chefe de estado, não é do imigrante ilegal ou de um deputado daquele partido. É de todos.
Entrámos nessa onda, descuidamos (ainda mais) as relações que temos, os laços que criamos, evitamos até criar mais, tomamos como dado adquirido o amor daqueles que nos rodeiam e dedicamo-nos ao trabalho, à nossa ganância natural de querer ser melhores que os outros, de ganhar mais dinheiro para depois nos pavonearmos como se reis do mundo nos tratássemos. Somos ignorantes a tal ponto que não percebemos que isso é que causa os conflitos, essa falta de humildade em reconhecer que somos todos uns grandes cabr*es egoístas. Nos até sabemos, mas não podemos admitir que errámos, não podemos ser inferiores aos outros, não estamos formatados dessa forma, temos de nos superiorizar de alguma forma. E uma coisa é certa, se essa vontade de sermos melhores estivesse direccionada para o afecto, para as relações interpessoais, e para o companheirismo, o mundo não era hoje em dia um local tão inóspito para se viver. Era sim um sitio sem guerras, sem arrogâncias desmedidas e sem conflitos absurdos.
Por isso eu vos digo, eu vos aconselho: vivam a vida relaxados, criem laços sustentáveis, amigos de todas as raças e amores de todos os feitios, não se enervem com a vida profissional e não se exibam como pavões num zoo. Porque quando o dia chegar, e ele vai chegar, não vão ser as vossas "obras primas", os vossos sucessos profissionais ou as vossas exibições públicas magistrais que irão estar ao vosso para vos amparar, vão ser os seres humanos com quem criaram qualquer tipo de relação. Estimem-nos.
O nosso País está de luto. Ao que parece morreu um jovem de 28 anos num acidente de carro. Um? - perguntam vocês. E eu respondo - pelo menos só soube de um, dos outros não se falou. Na verdade nessa mesma semana (não podendo precisar números) aposto que morreram uma dúzia de jovens de acidente de carro. Aliás, nesse mesmo acidente morreu outro, atropelado, mas ao que parece só uma mãe e uma tia é que verteram lágrimas por ele.
O estrilho foi tal, que o próprio Angélico não teve sossego nem na hora da sua morte. Mas sejamos realistas, o povo português é mesmo assim, gosta da desgraça, gosta de estar a porta de um hospital 2 dias seguidos para estar mais perto dos seus ídolos, mas no entanto por um familiar não fazia o mesmo. As mentalidades estão cada vez mais distorcidas. As televisões "atropelavam-se" para poder dar primeiro "a morte de Angélico Vieira, aos 28 anos", os jornais (principalmente o das desgraças) matavam o rapaz todo o santo dia após o sinistro, mas no dia a seguir ressuscitavam-no. Tal como Nosso Senhor. E nós, parvos como de costume, esperávamos com ganância a noticia seguinte.
Não quero de qualquer forma deixar de lamentar o facto desse jovem, Angélico Vieira, bom moço - dizem os mais chegados, ter sucumbido a um acidente brutal que não se deseja nem ao pior inimigo. Não é essa a questão, reconheço virtudes no actor/cantor, o que é certo é que vi centenas de pessoas chorar a morte dele, algumas que, inclusive, preferiam que lhes morresse um familiar próximo, ao invés do cantor predilecto. Isto não me cabe na cabeça.
Fazendo uma retrospectiva, acabei por falar praticamente apenas no jovem de 28 anos e não na dezena de outros jovens que faleceram nessa mesma semana. Mas que diabo, sou português, faço a minha parte. Agora não me peçam para chorar a morte de alguém que não conheço. Não querendo ser hipócrita, prefiro deixar para quem de facto tem sentimentos pela pessoa.